Poema dedicado a C.O.S.A.

Este texto é dedicado a todos os que viveram na cosa ou que bons momentos lá passaram.
Foi depois de ouvir o podcast da COSA e uma noite mal dormida que me saíram estas palavras que convosco queria partilhar…

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Para mim a COSA é

O acordar sem receio
Com o barulho e agitação
Das crianças no recreio

A COSA é…

Comprar ao virar da esquina
Pão quentinho ao pequeno-almoço
Molhacas e boa companhia, ânsias do que trará o dia
E um grande alvoroço

A COSA é..

Ter como despertador
O ruído sistemático
Da oficina mesmo ao lado
E o seu barulho pneumático

A COSA é…

De manhã cedo, ir reciclar
Ao mercado do Livramento.
Dizer bom dia e boa tarde
A meia cidade pela frente

A COSA é…

Barricar desbarricar,
Janelas portas e portões.
Nem sempre preparados, mas prontos! ,
Para o que der, vier e ainda o depois.

É conviver e sonhar
E preparar as ferramentas,
Para construir e destruir
E apoiar resistências.

Noites até de madrugada,
De discórdia e rebelião
De conversa partilhada,
De loucura na exaustão

São noites mal dormidas,
Madrugadas de explosão
E tardes de cabeça perdida,
À procura de solução.

É passear no bairro á noite,
E sentir que a cidade nos pertence
Onde o medo não existe,só o desafio te inspira
E te torna mais resistente.

É receber companheiros
Conhecidos e desconhecidos
Que viajaram mundos inteiros,
Para partilhar frutos colhidos

E partilhas tu com eles,
Esta casa abandonada
Que de abandono tem pouco,azulejos velhos e um reboco
Que respira água salgada.

E por vezes o arrepio
De uma rua embelezada,
Com o cheiro e o rodopio
De uma bela sardinhada.

Onde se ouve o velho fantasma
Se ficarem bem calados,
Do vazio que nos guarda,
Uma fábrica de enlatados.

A COSA é…

Os azulejos incompletos,
Dum corredor com história,
Vizinhança unida, uns dias mais que os outros
Nossa querida Vitória.

É receber pela manhã
Cartas e postais,
Dos mais variados cantos
Companheiros e locais.

É a água canalizada,
Fodasse!, Foi outra vez cortada
Não faz mal..vamos á fonte,
Lá vai mais uma caminhada

A nossa COSA é isto…
É isto e muito mais,
É muita contestação, amor & luta nas prisões
E burburinho nos jornais

É lugar para investir
E aprender com a lição,
Partilhar e resistir
Porqué sinónimo de rebelião.

Esta COSA é e foi
O fermento de muito pão,
Um espaço físico que possibilitou
muita conversa e ilusão.

Onde muitos desses sonhos
Se tornaram bem reais
Espalhou amor e ódio
Por pintadas e murais

Fez sardinhadas e grelhadas
A instigar a mudança
Fosse no pátio ou na calçada
A convidar a vizinhança

É uma casa velha
E vive cheia de memórias
Que não te deixa indiferente
Muitas raivas e vitórias

E é isto tudo e muito mais,
Porque é um lugar diferente.
No coração do bairro salgado,
Dá-lhe uma alma irreverente.

Da sua fonte das conchas,
Sempre brotou solidariedade,
Muitos estranhos abrigou,
Por pura boa vontade.

Porque lutámos para manter,
À velhice conseguiu subsistir,
Com força rebelde e consciente,
ESTA COSA VAI RESISTIR!!

Uma daninha entre a calçada,
Resiste e vai durar,
17 anos vividos,mais uns 100 virão seguidos
Nas memórias de quem cá ficar!

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